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Não comece imunobiológico para dermatite atópica sem antes fazer isso

  • 25 de abr.
  • 2 min de leitura

Na dermatite atópica, existe um erro muito comum: pular etapas. Hoje, com o avanço dos imunobiológicos, é natural que muitos pacientes, e até médicos, direcionem rapidamente o tratamento para essas terapias. Mas existe um ponto fundamental que não pode ser negligenciado: a barreira cutânea.


A dermatite atópica não é só inflamação. Ela é, antes de tudo, uma doença de barreira. A pele saudável funciona como um escudo eficiente, controlando a perda de água e impedindo a entrada de irritantes, alérgenos e microrganismos. Na dermatite atópica, esse sistema está comprometido desde a base.


A camada mais externa da pele, o estrato córneo, tem uma organização muito precisa, formada por corneócitos e lipídios intercelulares — principalmente ceramidas. Essa estrutura funciona como um “tijolo e cimento”, garantindo coesão e proteção.


Na dermatite atópica, há uma quebra desse equilíbrio, com redução de lipídios, alterações em proteínas estruturais, como a filagrina, e aumento da perda de água transepidérmica. O resultado é uma pele mais permeável, mais seca e mais reativa.


Na prática, isso tem implicações diretas. Uma barreira fragilizada permite a entrada constante de estímulos externos, mantendo a pele em um estado inflamatório contínuo. Forma-se, então, um ciclo difícil de interromper: barreira alterada leva à inflamação, que por sua vez causa mais dano à barreira, perpetuando ainda mais a inflamação. Por isso, tratar apenas a inflamação, sem corrigir a base do problema, muitas vezes não é suficiente.



O básico bem feito é, de fato, tratamento. Antes de escalar para terapias avançadas, é essencial corrigir a rotina: uso de hidratantes adequados, sem fragrância e com ação de reparo de barreira, redução do tempo e da temperatura do banho, retirada de fragrâncias do dia a dia, uso racional de sabonetes e, principalmente, constância no cuidado, mesmo fora das crises. Essas medidas não são complementares — elas fazem parte do tratamento.


Os imunobiológicos são ferramentas excelentes e, em muitos casos, necessários. No entanto, sem o ajuste da barreira cutânea, a resposta pode ser parcial. E também vale sempre lembrar: o paciente que precisa de imunobiológico não é aquele que “não se cuidou”, mas sim aquele cuja doença apresenta maior gravidade e complexidade.



No fim, o tratamento da dermatite atópica começa na base, e muitas vezes, é exatamente essa base que está sendo ignorada.

 
 
 

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© 2026 - Dra Ana Clara Palhano -  Ana Clara Dermatologista - CRM-SP 218424

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